CRÔNICAS ESTILO 40 ESTILO DE VIDA

JUNHO NA PANDEMIA

Junho sempre chega pra nos  lembrar que estamos no meio do ano e nos atiça o momento de fazer um balanço sobre aqueles planos de Janeiro – o que já concretizamos, o que ainda vamos fazer, o que abandonamos. Pode ser o tempo de mudar rotas, reavaliar planos, trilhar outra direção.

Mas em plena pandemia, isso tudo parece suspenso no teto do mundo: até aqui, provavelmente o que planejamos está preso num ciclo que, às vezes, se parece com o filme “Feitiço do Tempo”: um dia eterno que se repete, diferente e igual. Contraditório.

Outros tempos, Junho nos remetia às festas de ruas decoradas com bandeirinhas coloridas – o mês abençoado por três santos católicos, chama a renovar os laços, acertar as aparas, somar os afetos – na-mo-rar. Namorar, sob o manto de Santo Antônio, que exalta o Dia dos Namorados, o amor, o outro, a si mesmo. Só que o verbo amado também está enclausurado: entre quatro paredes, há que se reinventar muito pra manter a chama – e cada um faz o que pode, o que dá, o que consegue…

Junho é mês de casa aconchegante e de se aconchegar; a questão é que estamos nesse acolhimento há tanto tempo, que chega a enjoar. Mas ainda dá pra celebrar as noites frias com  fondues e chocolates quentes à luz de velas, inventando uma rotina que nos salve da mesmice.

Daqui a pouco,  a gente sabe que despontam os dias cinzentos – e como andam colados ao desânimo, vislumbro nova prova de fogo: ainda não é seguro sair e manter a vibe em alta não é tarefa simples. Tente resistir pra não sucumbir a dias inteiros de pijama. Que São João, o santo festeiro, nos proteja dessa inclinação, amém.

No final do mês, São Pedro nos prepara para Julho e o mês outrora de pausas pra recarregar energias, hoje está entre os que carregam nossa esperança de vacina – vacina e mais vacina – pra gente sair por aí, livre do medo, da morte e da dor;  livre pra tirar o peso desses dois anos – do corpo, da mente e da alma -, e acreditar de novo em dias felizes.

Mas, até lá, que possamos aquecer esse mês gelado com nossa resiliência. Resistamos!

Bem-vindo, Junho!

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Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Administra esse site.

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