HIPERBREVES

DESPEDIDA

Ela chegou ao último degrau e se pôs na ponta dos pés a fim de lhe alcançar o rosto. Beijou-o. Ele ouviu o carro saindo da garagem, vagarosamente, e ficou escutando-o se afastar. Ela dirigia calmamente pelo caminho, as lágrimas lhe turvando a visão, mas isso não tinha importância, ela pensava, porque quase ninguém passava por aquela estrada àquela hora. Seus olhos azuis estavam opacos e ela estava pálida, branca, o cabelo embaraçado. A luz de um relâmpago iluminou a praia à esquerda e ela pode divisar o mar como se estivesse em plena luz do dia, desaparecendo em seguida no escuro. O horizonte piscou, prateado, mas não se ouviu trovão. Nenhum sinal de chuva… Olhou pelo retrovisor e sentiu-se imensamente triste: tudo ficava para trás – sua vida, seus sonhos, seu homem amado sumindo na escuridão. Quando olhou outra vez para frente, também a estrada havia desaparecido. Teve a impressão de estar caindo. Mas só por um segundo…

| Débora Böttcher |

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Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Administra esse mini portal - que é uma junção dos sites Babel Cultural, Estilo 40, Hiperbreves e Papo de Letras.