HIPERBREVES

DOR

Como era Dia de Finados, foi ao cemitério dar um “alô” no túmulo do pai, dos avós, da amiga de infância, do primeiro namorado. Vai deixando duas rosas brancas para cada um, sem choro nem vela – só saudade -, e passeia entre as lápides andando devagar, recolhendo um tanto de tristeza. No silêncio da tarde, senta um pouco sob a árvore, aos pés de onde descansa o pai, e recorda com doçura de seus brilhantes olhos verdes, do riso fácil, a mania de assobiar. Lembra dos Domingos ensolarados no clube, dos churrascos, das festas, do carnaval – tempo em que a alegria corria solta pelos cantos da vida e ninguém divisava um futuro de ausências. A lágrima quente escorreu sem que ela se desse conta e, de novo, aquela dor inconformada lhe tirava o ar e comprimia o peito.
| Débora Böttcher | 

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Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Administra esse mini portal - que é uma junção dos sites Babel Cultural, Estilo 40, Hiperbreves e Papo de Letras.