HIPERBREVES

FIM

Escrito por Andréa Bianchi
Então era assim que tudo acabava, de forma apressada como havia começado. O carro na porta esperava que ela empacotasse as coisas como se fugisse. Não era um bom momento para chorar, nunca era. Nascera prática e se era para mudar, precisava fazer acontecer de uma vez. Não dá para fazer de conta que não dói aquele membro amputado, nem que não faz falta. Mas o fato é que um dia a gente se acostuma com a mudança e aprende a se locomover de outra forma. Não tinha sido feliz como gostaría ali. Não tinha certeza se seria feliz em outro lugar. Mas ficar seria impossível. Esqueceria muitas coisas naqueles cantos, coisas que um dia não lhe fariam mais a menor falta. Jogou as chaves na cama e bateu a porta que nunca mais abriria novamente. Sempre fora assim, partia sem olhar para trás.

| Andrea Bianchi |
Foto: Carlos Hollanda
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Andréa Bianchi

Não estou pronta ainda, todos os dias alguma coisa muda em mim... Vivo no Rio de Janeiro.