HIPERBREVES

MADRUGADA

Na madrugada, naquela hora que é nenhuma, acontecem coisas que, durante o dia, ninguém atenta. O recém-nascido que chora na casa em frente ou ao lado; o cachorro que late de frio e solidão; um carro em alta velocidade; alguém que chega, alguém que sai. Um gato que mia. Uma porta que bate. De vez em quando, alguém que grita, alguém que briga. Alguém que escreve, lê ou vê TV. Pontos de luz se misturam à penumbra. Na madrugada, quando o sono demora a vir, a moça, que já sofreu de insônia, imagina a noite uma mulher bonita, que se senta na beirada da cama, calmamente penteando os cabelos – sem pressa, nem alarde. Em silêncio, ela observa os (muitos) olhos abertos do mundo e sorri ante os ensurdecedores ruídos que só através do seu manto se percebe… O silêncio se instala, a alma se recolhe em sótãos internos e só o pensamento com sua voz baixinha e rouca se faz ouvir. Lá fora, a lua espreita iluminando o azul marinho estrelado desvendando o milagre da noite – que na madrugada vai alta.

| Débora Böttcher |

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Débora Böttcher Lessa

Formada em Letras, com especialização em Literatura Infantil e Produção de Textos. Participou do livro de coletâneas "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde escreveu por 10 anos. Publicou artigos em vários jornais. Trabalha com arte visual/mídias. Administra esse mini portal - que é uma junção dos sites Babel Cultural, Estilo 40, Hiperbreves e Papo de Letras.