HIPERBREVES

NAMASTÊ

Escrito por Carla Dias
Agradece ao silêncio alcançado em momento em que o desassossego berrava as suas exigências, oferecendo ao descontrole o controle da sua sanidade. Amém ao solilóquio da esperança, que apesar de aparentemente frágil, mostrou-se de força voraz ao inspirá-la a se defender da enfática insegurança. Sente-se grata pela colheita de sonhos em época de estiagem de afeto, quando corpo e alma não combinavam, como se estivessem cada qual em uma sala vazia. E que, aos sonhos e barrancos – e trancos – acabaram por experimentar da sintonia. Agradece ao milagre alcançado, ao diariamente por permiti-la trafegar em sua tez, concretizando arrepios de felicidade à rotina. E que mesmo diante das dolências, da severidade da tristeza adquirida, ofereceu-lhe ensejos propulsores de gargalhadas e deleites, e validou a capacidade dela de amanhecer outro dia a cada dia. Amém à reverberação da delicadeza, mesmo quando o olhar endurece. Namastê.

| Carla Dias |
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Carla Dias

Autora de "Estopim", "As Asas da Borboleta", "Jardim de Agnes", "Os Estranhos" e "Azul", além de participação com contos e crônicas em mais quatro coletâneas - entre elas, "Acaba Não, Mundo", do site "Crônica do Dia", onde ainda escreve às quartas-feiras. Trabalha como Produtora de Eventos junto à baterista Vera Figueiredo [IBVF Produções]. Vive em São Paulo.