HIPERBREVES

TARDE DEMAIS

Escrito por Raul Lessa
Ele morreu. Não que quisesse, esperasse ou pensasse no assunto. Era jovem, bonito, saudável. Saiu de casa naquela manhã, como sempre fez, para ir ao mesmo lugar, fazer o que sempre fazia. Dois ônibus chegaram ao mesmo tempo: escolheu, aleatoriamente, o de trás. Sentou-se logo no primeiro banco vazio, ao lado de uma moça que lhe pareceu familiar. O trânsito estava lento, como era de se esperar ao horário. Notou que ela o olhava insistentemente. Constrangido, disfarçou. Depois olhou para ela fixamente. E de repente se lembrou. Era uma antiga namorada, que ele abandonara quando engravidou. Sem graça, arriscou cumprimentá-la. Tarde demais. A lâmina que saiu de sua bolsa já lhe havia rasgado o estômago. Ela nunca o havia perdoado…
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Raul Lessa

Economista e Publicitário, especialista em Marketing. Pai de quatro filhos e avô de sete netos.
Vive em São Paulo.